Quiksilver Pro Gold Coast

Filipe Toledo passa para as quartas de final com primeiro 10 do ano

WSL South America

Highlights: Toledo nota 10
Melhores momentos do Domingo de disputas do Quiksilver Pro Gold Coast

O defensor do título do Quiksilver Pro Gold Coast, Filipe Toledo, deu um verdadeiro espetáculo na segunda-feira de boas ondas de 3-5 pés em Snapper Rocks, na Austrália. Ele foi o primeiro a se classificar para as quartas de final da etapa de abertura do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour 2016, com sua incrível variedade de manobras modernas de borda e aéreas arrancando a primeira nota 10 do ano na vitória por 19,20 pontos de 20 possíveis. O campeão mundial Adriano de Souza e o estreante Caio Ibelli perderam a disputa pela segunda vaga na última bateria do dia, mas eles têm outra chance de classificação na quinta fase que será realizada nesta terça-feira. A primeira chamada será as 7h30 na Austrália, 18h30 da segunda-feira pelo fuso de Brasília, ao vivo pelo www.worldsurfleague.com

"Eu ainda estou tremendo aqui vendo essas ondas, porque estão muito perfeitas", disse Filipe Toledo, depois da melhor apresentação do ano na Gold Coast. "Eu estou super animado e mal posso esperar para voltar para a água novamente. Eu quero continuar surfando bem as baterias e tirando boas notas. As pranchas que eu trouxe para cá estão incríveis, então estou me sentindo superbem, confiante e procurando me divertir em cada bateria".

Adriano de Souza vence mais uma
Em uma disputa difícil, Adriano vence o Wildcard Mikey Wright

Os três são os únicos que podem conseguir um inédito tricampeonato do Brasil na Gold Coast. Outros quatro saíram da briga do título na segunda-feira. Vencedor desta etapa em 2014, mesmo ano em que se tornou o primeiro brasileiro a conquistar o título mundial, Gabriel Medina foi barrado na bateria que fechou a terceira fase. Os potiguares Italo Ferreira e Jadson André já haviam sido derrotados no início do dia e Wiggolly Dantas também perdeu, com os quatro terminando em 13.o lugar no Quiksilver Pro Gold Coast e marcando 1.750 pontos no primeiro ranking da temporada 2016 da World Surf League.

A segunda-feira começou com vitória brasileira de Caio Ibelli sobre Jack Freestone pela repescagem. Os confrontos Brasil x Austrália continuaram na terceira fase iniciada em seguida, com Filipe Toledo despachando outro novato na elite dos top-34 este ano, Ryan Callinan. Filipinho nem precisou usar os aéreos que lhe deram a vitória no ano passado e dominou toda a bateria só com manobras de borda. Ele largou na frente com nota 7,0 e foi aumentando a vantagem a cada onda para vencer com uma "combination" de 16,60 pontos, com as notas 7,83 e 8,77 das suas últimas ondas, contra apenas 5,00 das duas melhores do australiano.

Caio Ibelli placed third in his Round 4 heat. Caio Ibelli começou o dia com vitória - WSL / Kelly Cestari

Filipe parece ter guardado munição para sua segunda bateria do dia, valendo a primeira vaga para as quartas de final do campeonato que ele venceu no ano passado. Mesmo enfrentando um recordista em finais na Gold Coast e local do pico, Joel Parkinson, o brasileiro conseguiu escolher as melhores ondas das séries que entravam em Snapper Rocks para apresentar o seu arsenal de manobras modernas e inovadoras, combinando as de borda com as aéreas para arrancar três notas excelentes dos juízes e o primeiro 10 da temporada. Foi um verdadeiro espetáculo de Filipe Toledo, que segue firme na busca pelo bicampeonato no Quiksilver Pro.

CAMPEÃO MUNDIAL - O campeão mundial Adriano de Souza também surfou uma onda de forma espetacular quando enfrentou o surfista que havia lhe derrotado em sua estreia na sexta-feira. Toda a torcida na praia era para o australiano Michael Wright, irmão mais jovem do top da elite, Owen, que chegou a liderar a bateria depois de uma boa onda que valeu nota 7,87. Mineirinho deu o troco pegando uma bem mais longa para ir fazendo manobras abrindo grandes leques de água, seguindo com uma série de batidas e rasgadas até o inside para receber a maior nota do dia até ali, 9,27. Com ela, garantiu a vitória por 16,17 a 14,04 pontos.

Adriano de Souza placed second in his Round 4 heat. Adriano segue na disputa. - WSL / Kelly Cestari

"O Mikey é um surfista com grande talento, um gentleman, e estou muito feliz por ter vencido essa bateria com o irmão mais jovem do Owen Wright", disse Adriano de Souza. "A terceira fase é uma rodada que vale bastante pontos, então confesso que fiquei nervoso durante a bateria. Estou muito feliz pela vitória, mas também quero me divertir e foi isso o que eu fiz naquela onda incrível que veio para mim".

Adriano voltou ao mar no fim de tarde para disputar o último confronto do dia, mas dessa vez não conseguiu achar uma onda tão boa e o australiano Matt Wilkinson conquistou a segunda vaga para as quartas de final por 14,10 a 11,80 pontos. Outro brasileiro participou dessa bateria, Caio Ibelli, que totalizou 10,50 pontos e também terá uma segunda chance de classificação para as quartas de final. Caio vai enfrentar Joel Parkinson na abertura da quinta fase e quem passar será o adversário de Filipe Toledo na briga pela primeira vaga nas semifinais. Já Adriano de Souza pega o norte- americano Conner Coffin e o vencedor vai completar a bateria do australiano Matt Wilkinson.

Matt Wilkinson winning his Round 4 heat. Matt Wilkinson vence os brasileiros e vai direto para as quartas de final - WSL / Kelly Cestari

Caio Ibelli é uma das novidades na "seleção brasileira" deste ano, junto com o também paulista Alex Ribeiro e o catarinense Alejo Muniz, que ainda recupera-se de uma cirurgia no joelho. Ele se classificou em primeiro lugar no ranking do WSL Qualifying Series e já derrubou dois australianos na segunda-feira. Primeiro ganhou o confronto de campeões mundiais da categoria Pro Junior com o também estreante na elite, Jack Freestone. E na terceira fase derrotou um dos mais experientes do circuito, Josh Kerr, logo depois de duas derrotas brasileiras seguidas na terceira fase.

DERROTAS BRASILEIRAS - A primeira foi de Jadson André para Joel Parkinson. Os dois receberam a mesma nota 6,33 em suas primeiras ondas. O australiano é recordista em finais na Gold Coast, onde já venceu duas vezes, mas Jadson deu trabalho com seu backside nas direitas de Snapper Rocks. Só que Parko acha uma onda bem longa para fazer várias manobras e ganhar nota 8,5, que fez a diferença na bateria. Jadson ainda surfou uma boa onda no final que valeu 7,33, mas não impediu a derrota por 14,83 a 13,66 para o campeão mundial de 2012.

Joel Parkinson during Round 4. Joel Parkinson elimina o brasileiro Jadson André - WSL / Kelly Cestari

No duelo seguinte, o outro potiguar do time verde-amarelo também perdeu, o melhor estreante de 2015, Italo Ferreira. A derrota foi de virada no minuto final da bateria, com a nota 7,37 da última onda surfada pelo norte-americano Conner Coffin. Italo liderou desde o início e acabou sendo superado no final por uma pequena diferença de 14,04 a 13,83 pontos. Os outros dois brasileiros eliminados na terceira fase foram os paulistas Gabriel Medina e Wiggolly Dantas, recordista de pontos do primeiro dia na Gold Coast.

Foram mais dois confrontos entre Brasil e Austrália vencidos pelos donos da casa. Adrian Buchan começou muito bem com nota 8,33 e dominou toda a bateria contra Wiggolly Dantas, até fechar o placar em 15,43 a 13,70 pontos. Já o campeão mundial Gabriel Medina fez a melhor bateria do ano com Stu Kennedy, que tinha barrado Kelly Slater na segunda fase. Os dois surfaram boas ondas, com cada um conseguindo duas notas excelentes na casa dos 8 pontos.

Italo Ferreira getting pumped for his Round 3 heat. Italo, mesmo surfando muito, não passou por Conner Coffin - WSL / Brett Skinner

Medina tirou o primeiro 8,0 dele logo em sua primeira onda, mas o australiano também começa bem com 7,93 e assume a ponta com o 6,50 da segunda. Aí começa um vira-vira a cada onda. O brasileiro passa a frente com 6,60 e Kennedy retoma com 8,5 na melhor onda da bateria até ali. Depois entrou uma série com duas ondas excelentes para os dois decidirem o vencedor. Eles dão um show de manobras levantando muita água em Snapper Rocks e a do Medina foi melhor, recebeu 8,53 dos juízes. Mas a do australiano valeu 8,30 e garantiu a vitória por uma pequena vantagem de 16,80 a 16,53 pontos.

"Eu amo surfar contra os melhores do mundo. Eles empurram o meu surfe para um outro nível depois de ralar pelo Qualifying Series por tanto tempo", disse Stu Kennedy. "Eu só sabia que tinha que pegar boas ondas e deixar o meu surfe falar por si. Estou muito feliz pela oportunidade de estar aqui como substituto competindo com esses caras e espero ter mais chances ao longo do ano. Vencer esses dois surfistas, Kelly (Slater) e Gabriel (Medina), é como um sonho se tornando realidade para mim, com certeza".

Gabriel Medina was eliminated in Round 3. A surpresa do dia foi a derrota de Gabriel Medina - WSL / Kelly Cestari

MASSACRE DE TOPS - Não foi só Gabriel Medina que perdeu na terceira fase. O que se viu na segunda-feira foi um verdadeiro massacre dos cabeças de chave que competiram com a lycra vermelha. Depois de Filipe Toledo e Joel Parkinson vencerem as primeiras baterias, eles foram simplesmente dizimados pelos adversários, alguns estreantes na elite e substitutos de contundidos. Sem contar Adriano de Souza que compete com a lycra amarela de número 1 do Jeep Leaderboard, foram oito derrotas dos mais bem ranqueados, incluindo os campeões mundiais Gabriel Medina e Mick Fanning, eliminado pelo havaiano Sebastian Zietz.

Além de Filipe Toledo e Joel Parkinson, o único de lycra vermelha que saiu vitorioso do mar foi o havaiano John John Florence. A série de derrotas começou com o brasileiro Italo Ferreira, barrado pelo americano Conner Coffin. Nas disputas seguintes, o também estreante Caio Ibelli despachou Josh Kerr e Matt Wilkinson ganhou do veterano Taj Burrow. Aí Adriano de Souza confirmou o favoritismo, mas Mick Fanning foi barrado por Sebastian Zietz, Wiggolly Dantas por Adrian Buchan, Nat Young por Kolohe Andino, Jeremy Flores por Kanoa Igarashi e Medina por Stu Kennedy na última bateria. Dos doze cabeças de chave, só quatro venceram.