Rip Curl Pro Bells Beach

Italo e Wiggolly brigam por vagas nas quartas de final em Bells

WSL South America

Highlights: Bells mostrou sua força
Melhores momentos dos rounds 2 e 3 em Bells

Um domingo de mar desafiador e praia lotada em Bells Beach para as primeiras eliminatórias do Rip Curl Pro Bells Beach na Austrália. Sete brasileiros enfrentaram as difíceis condições das grandes ondas de 6-10 pés e venceram cinco baterias. Dois deles já passaram para a fase das duas chances de classificação para as quartas de final, o potiguar Italo Ferreira e o paulista Wiggolly Dantas. Foi um dia longo com as dezesseis baterias da repescagem e metade da terceira fase, com Adriano de Souza sendo eliminado no último duelo do domingo pelo mesmo havaiano Mason Ho que ele derrotou para conquistar o título mundial na semifinal do Pipe Masters.

Outros dois brasileiros ainda vão disputar a terceira fase, pois estão nas baterias que ficaram para abrir a segunda-feira em Bells Beach. A primeira chamada foi marcada para as 8h00 na Austrália, 18h00 do domingo pelo fuso horário de Brasília, ao vivo pelo www.worldsurfleague.com. O estreante na elite deste ano, Caio Ibelli, ganhou uma das melhores baterias do domingo e agora terá um duro desafio contra o havaiano John John Florence. E no duelo seguinte, o campeão mundial Gabriel Medina fecha a terceira fase contra uma das novidades da Austrália, Davey Cathels.

Jadson Andre vs Bells Beach
Jadson atacou Bells com coragem

A previsão é de que as ondas permaneçam desafiadoras, mas um pouco menores do que no domingo. O potiguar Italo Ferreira disputou o primeiro confronto do dia e já mostrou que estava forte para enfrentar as difíceis condições. Ele atacou as direitas com manobras potentes jogando água para derrotar o vencedor da triagem, Tim Stevenson, por 13,43 a 11,67 pontos. Depois, voltou ao mar para abrir a terceira fase com mais uma grande apresentação. Ele começou bem com uma nota 7,67, mas o havaiano Sebastian Zietz surfou uma onda que abriu uma longa parede para várias manobras que arrancaram 9,5 dos juízes.

NOVO RECORDE - Italo ficou esperando por uma onda grande, com potencial para tirar os 8,17 pontos que precisava e ela só veio no último minuto. O potiguar arriscou tudo, foi manobrando forte de backside, passando as sessões, até fechar a onda com uma explosiva na junção, despencando junto com a montanha de espuma que se formou. Italo saiu vibrando do mar com os punhos cerrados e a nota saiu 9,33, garantindo a vitória com um novo recorde de 17,00 pontos para o Rip Curl Pro Bells Beach deste ano. Sebastian Zietz perdeu com 15,83 pontos que dariam para vencer as outras cinco baterias da terceira fase no domingo.

Italo Ferreira vira no final
Italo surfou muito nas difíceis ondas de Bells Beach

"Foi uma bateria incrível, estou até sem palavras. Eu estava super nervoso no final porque só tinha uma chance", contou Italo Ferreira, ainda ofegante após a longa caminhada pela praia até a estrutura do evento. "Essa última onda entrou pra mim no momento certo e nem posso acreditar. Ela era muito boa e eu tentei dar o meu máximo porque sabia que precisava de uma nota alta. Ainda bem que eu consegui e estou muito feliz, mas parabéns para o Seabass (Sebastian Zietz), que é um grande surfista e merecia também".

Depois de Italo Ferreira ser o primeiro a ganhar duas chances de passar para as quartas de final, outro brasileiro que também tinha competido na repescagem pela manhã, voltou a encarar o mar pesado de Bells Beach. O paulista Miguel Pupo achou boas ondas contra um dos mais experientes do tour, Taj Burrow, ganhando duas notas boas na casa dos 7 pontos para vencer por uma pequena vantagem de 15,10 a 15,00 pontos. No entanto, de tarde, caiu numa hora ruim do mar e não teve como mostrar o seu surfe contra o outro australiano que enfrentou, Julian Wilson, que o derrotou na terceira fase por 12,44 a 9,67 pontos.

Caio Ibelli a vontade nas ondas grandes
Caio foi outro brasileiro que fez bonito em Bells

WIGGOLLY INVICTO - Na disputa seguinte, Matt Wilkinson com a lycra amarela do Jeep WSL Leader venceu mais uma bateria antes do brasileiro Wiggolly Dantas também manter a invencibilidade com seu backside afiado nas direitas de Bells Beach. Ele começou bem massacrando uma boa onda para ganhar nota 7,17 e liderou toda a bateria com o 6,20 da segunda. O australiano Adrian Buchan ainda surfou sua melhor onda antes de sair, mas a nota 6,93 recebida não foi suficiente para superar os 13,37 pontos de Wiggolly Dantas, um dos três únicos brasileiros que estrearam com vitórias em Bells Beach.

Para fechar o domingo das melhores ondas da temporada 2016 do Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour 2016, mais uma bateria eletrizante que acabou sendo decidida na série que entrou no minuto final para ser mais emocionante. Todos ficaram na praia para assistir o campeão mundial Adriano de Souza, que já badalou o sino do troféu de campeão do Rip Curl Pro Bells Beach em 2013 e foi vice na final empatada do ano passado contra Mick Fanning. Mineirinho voltava a enfrentar o mesmo havaiano Mason Ho da semifinal do último Pipe Masters, quando ele conquistou o título mundial.

Adriano fica no Round 3
Mason Ho elimina Adriano de Souza em Bells

VINGANÇA DO TÍTULO - O brasileiro largou na frente, aproveitando o máximo da sua primeira onda para tirar nota 6,33 dos juízes. Mason Ho está competindo em Bells para substituir Filipe Toledo, que se contundiu na Gold Coast. Ele demorou um pouco e entrou na briga com o 6,93 da sua segunda onda, mas Mineirinho respondeu com 6,73 para manter uma boa vantagem. Depois o tempo foi passando quase sem ondas, mas no último minuto entrou uma série maior que acabou decidindo tudo. Adriano veio na da frente manobrando forte, mas a de trás foi mais longa e o havaiano teve a chance de fazer mais manobras até a areia.

Os dois surfaram suas melhores ondas da bateria e aí ficou o suspense pela análise dos juízes. Depois de alguns minutos, a primeira a ser divulgada foi a do Adriano de Souza, que valeu nota 7,60, com Mason Ho passando a precisar de 7,41. Mas, a do havaiano foi realmente melhor pelo que a onda proporcionou e recebeu 8,17 para vingar a derrota do título mundial por 15,10 a 14,33 pontos. Mineirinho terminou em 13.o lugar no Rip Curl Pro e agora pode até antecipar sua viagem para já ir treinando em Margaret River, onde vai defender o título de campeão do terceiro desafio da World Surf League na Austrália.

Adriano de Souza was eliminated by wildcard Mason Ho in the dying minutes of Round 3. Photo/Sloane Adriano de Souza (BRA) - WSL / Ed Sloane

"Bells é uma das minhas ondas favoritas, mas no final ali o Mason (Ho) conseguiu surfar melhor do que eu para me vencer", lamentou Adriano de Souza. "Eu só quero agora me manter motivado para o próximo evento em Margaret River, onde eu ganhei no ano passado. Vou continuar lutando e estudando o meu desempenho. Eu só sei que fiz o meu melhor e vou tentar analisar tudo para ver onde posso melhorar e também aprender com o Mason (Ho)".

BRASILEIROS ELIMINADOS - Além de Adriano de Souza e Miguel Pupo, que perderam na terceira fase, outros dois brasileiros foram eliminados no domingo sem vencer nenhuma bateria no Rip Curl Pro. O paulista Alex Ribeiro é um dos estreantes na elite deste ano e pela primeira vez competiu em Bells Beach. Para complicar, a sua bateria aconteceu numa hora ruim do mar, com poucas ondas e ele não teve o que fazer contra Adrian Buchan. O australiano começou forte com nota 8,23 e acabou vencendo fácil por 14,23 a 5,27 pontos.

Miguel Pupo winning his Round 2 heat over Taj Burrow by a fraction of a point. Miguel Pupo (BRA) - WSL / Kelly Cestari

Depois, Miguel Pupo e Caio Ibelli ganharam duas baterias de forma sensacional. Pupo dominou todo o confronto com o veterano Taj Burrow com as notas 7,67 e 7,43 das suas primeiras ondas. Só que o australiano ainda surfou a melhor onda da bateria e quase consegue a vitória com a nota 8,67 que recebeu. Com ela, atingiu 15,00 pontos, contra 15,10 do brasileiro. A disputa seguinte também terminou com um placar apertado e foi igualmente emocionante, com Caio Ibelli conquistando a vitória com um ataque agressivo de grandes manobras nas duas últimas ondas que surfou. Os juízes deram notas 8,00 e 8,83 para o brasileiro superar o australiano Ryan Callinan por uma pequena diferença de 16,83 a 16,43 pontos.

GUERREIRO POTIGUAR - O último brasileiro a disputar a repescagem foi o potiguar Jadson André, contra outro estreante na elite, a nova aposta do surfe norte-americano, Conner Coffin. O brasileiro começou melhor, porém acabou machucando o tornozelo logo no início da bateria. Mesmo assim, o potiguar foi guerreiro e continuou no mar. Ele ainda surfou uma onda enorme sem aliviar nas manobras para tirar nota 8,60 dos juízes e liderar a bateria.

O californiano tinha uma onda boa também de 7,60 pontos e acabou achando outra no final para fazer duas manobras, fechando com um layback muito forte para ganhar 6,93 e vencer por 14,53 a 14,20 pontos. Jadson saiu carregado do mar e os médicos da World Surf League constataram a contusão no tornozelo. O potiguar iria fazer uma ressonância magnética para um melhor diagnóstico da gravidade da lesão.

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