Vans US Open of Surfing (QS)

Filipe Toledo conquista segunda vitória no US Open of Surfing

WSL South America

Highlights: Filipe Toledo vence em Huntington
Pela segunda vez Filipe é o melhor no US Open

O brasileiro Filipe Toledo levou a multidão que lotou o famoso píer de Huntington Beach no domingo ao delírio, com seus aéreos decidindo a conquista do segundo título nos três últimos anos do campeonato mais tradicional dos Estados Unidos, no maior palco do esporte na Califórnia. E quase que a decisão foi 100% brasileira como em 2014, quando Filipe derrotou o catarinense Willian Cardoso na final. Mas, o jovem australiano Ethan Ewing, 18 anos, barrou o campeão mundial Adriano de Souza nas semifinais e agora é o vice-líder no ranking do WSL Qualifying Series. O baiano Bino Lopes também competiu no domingo e entrou no grupo dos dez que se classificam para o CT com o quinto lugar no QS 10000 Vans US Open of Surfing.

Filipe Toledo after winning the Final at The Vans US Open of Surfing Felipe Toledo - WSL / Sean Rowland

No domingo, também foi encerrada a sexta etapa do Samsung Galaxy WSL Women´s Championship Tour em Huntington Beach, com uma decisão inédita para duas havaianas, que deixaram as líderes do ranking pelo caminho até a final. A mais jovem, Tatiana Weston-Webb, 20 anos, surfou a melhor onda da bateria para comemorar a sua primeira vitória da carreira no CT. Malia Manuel, 22, terminou em segundo lugar, mas fez uma semifinal brilhante contra a australiana Tyler Wright, que retomou a lycra amarela de número 1 do Jeep WSL Leader da americana Courtney Conlogue, barrada pela campeã Tatiana nas quartas de final.

"Para ser honesta, eu estava muito decepcionada por ter perdido na primeira fase do QS 6000 Supergirl Pro na semana passada e eu só queria ter a minha confiança de volta", disse Tatiana Weston-Webb, que subiu da sexta para a terceira posição no ranking com a vitória no Vans US Open of Surfing. "Eu sabia que esse evento ia ser muito difícil, especialmente por enfrentar a Courtney (Conlogue) hoje. Ela está em casa e surfa de forma incrível aqui, então toda a confiança voltou quando ganhei dela. A final foi contra minha amiga Malia (Manuel), que vem arrebentando em todos os eventos, então a gente só procurou surfar nosso melhor e estou muito feliz pela vitória, que certamente ficará marcada para sempre na minha vida".

Tatiana Weston-Webb (HAW) had to overcome World No. 1 Courtney Conlogue (USA),  in-form Lakey Peterson (USA), and Malia Manuel (HAW) to claim her first CT win. Tatiana Weston-Webb - WSL / Kenny Morris

O próximo desafio na acirrada disputa pelo título mundial no Samsung Galaxy WSL Women´s Championship Tour, será também na Califórnia, com as meninas voltando a competir nas ondas de Lower Trestles, em San Clemente, de 7 a 18 de setembro nos Estados Unidos. Assim como no US Open, a batalha pela lycra amarela do Jeep WSL Leader será fase a fase entre a agora líder Tyler Wright e Courtney Conlogue. A australiana permanece na frente se as duas terminarem empatadas no Swatch Trestles Women´s Pro e agora é a norte-americana que precisa ficar uma posição à frente para retomar a ponta do ranking ainda na Califórnia.

BICAMPEÃO DO US OPEN - O CT masculino retorna em agosto com o Billabong Pro Teahupoo nos dias 19 a 30 no Taiti, então alguns tops da elite aproveitaram o intervalo para competir no QS 10000 US Open. Como Filipe Toledo, que conquistou o bicampeonato em Huntington Beach, provando mais uma vez ser um dos melhores do mundo em "beach breaks" (praias com fundo de areia). O campeão mundial Adriano de Souza também prestigiou o evento e apenas dois dos oito finalistas que chegaram no domingo não eram do CT, o australiano Ethan Ewing, que derrotou Mineirinho nas semifinais, e o baiano Bino Lopes, novo integrante do grupo dos dez indicados pelo QS para a divisão principal da World Surf League.

Filipe Toledo surfing during Heat Two of the Semifinals at The Vans US Open of Surfing Filipe Toledo - WSL / Kenny Morris

O domingo decisivo em Huntington Beach começou com Ethan Ewing barrando um top da elite, Ryan Callinan. O havaiano Sebastian Zietz foi derrotado por Adriano de Souza na disputa seguinte. O norte-americano Kanoa Igarashi também confirmou o favoritismo contra o baiano Bino Lopes. E Filipe Toledo começou o seu show de aéreos contra o taitiano Michel Bourez no segundo confronto direto entre tops da elite nas quartas de final.

Nas semifinais, o jovem australiano de apenas 18 anos de idade surpreendeu de novo ao barrar o campeão mundial Adriano de Souza por uma pequena vantagem de 14,60 a 13,53 pontos. Ethan Ewing começou bem com uma nota 7,83, que depois foi igualada por Mineirinho. A segunda onda computada acabou decidindo a bateria e o australiano somou um 6,77, contra 5,70 do brasileiro, para ganhar a primeira vaga na grande final.

Ethan Ewing (AUS) earning the biggest result of his young career with a runner-up  at the Vans US Open of Surfing. Ethan Ewing - WSL / Kenneth Morris

A segunda foi vencida por Filipe Toledo com o maior placar do último dia. Foi, talvez, sua melhor apresentação depois da contusão sofrida no início da temporada na Gold Coast, Austrália. Filipinho usou a sua incrível variedade de aéreos e de manobras modernas de borda também para despachar o vice-campeão do US Open no ano passado, Kanoa Igarashi, última esperança de título norte-americano. A melhor onda de Filipe valeu 8,17 para totalizar 15,67 pontos, contra 13,40 do mais jovem integrante do CT este ano, com 18 anos de idade.

DECISÃO DO TÍTULO - Na grande final, Filipe Toledo continuou com a tática de pegar várias ondas e seguir arriscando as manobras aéreas para aumentar suas notas. Ele novamente completou as aterrisagens para tirar notas 7,83 e 7,07 em duas ondas seguidas. Elas construíram o placar da sua segunda vitória no prestigiado US Open of Surfing, por 14,90 a 10,46 pontos do australiano Ethan Ewing. O título valeu um prêmio de 40 mil dólares e os 10.000 pontos levaram Filipe Toledo direto para a nona posição do ranking na sua primeira participação em etapas do WSL Qualifying Series esse ano.

Adriano DeSouza (BRA) couldn't top Ethan Ewing (AUS) in the first Semifinal despite his best efforts. Adriano De Souza - WSL / Kenny Morris

"Este é o momento mais especial para mim, depois de uma semana de surfe abençoada contra todos esses grandes surfistas", disse Filipe Toledo, que mora na Califórnia com toda a família. "Estou muito feliz por ter dois títulos do US Open, a multidão aqui em Huntington é incrível e tenho todo o apoio da minha família e amigos. Este resultado aumenta minha confiança para competir no Taiti (próxima etapa do CT). Eu sei que é uma onda totalmente diferente, mas vencer um campeonato sempre te dá uma motivação extra", completou Filipe, que atravessou a multidão pela praia carregado nos ombros dos seus irmãos do mar até o pódio.

G-10 PARA O CT 2017 - Mesmo perdendo a final, Ethan Ewing consolidou sua classificação para o CT do ano que vem com o vice-campeonato no Vans US Open of Surfing. Ele tiraria a liderança do italiano Leonardo Fioravanti se vencesse o QS 10000 dos Estados Unidos, mas subiu do sexto para o segundo lugar com os 8.000 pontos recebidos. O resultado da segunda etapa com status máximo do ano, provocou duas mudanças na lista dos dez surfistas que o ranking do WSL Qualifying Series classifica para completar a elite dos top-34 que disputa o título mundial no Samsung Galaxy World Surf League Championship Tour.

Bino Lopes (BRA) doing the job and making it into Round 5. Bino Lopes - WSL / Kenneth Morris

Uma delas é o brasileiro Bino Lopes. Ele entrou no G-10 quando se classificou para a quarta fase na quinta-feira, tirando a vaga do australiano Cooper Chapman. Na sexta-feira, subiu do nono para o sétimo lugar com a passagem para as oitavas de final. No sábado, venceu mais uma bateria e foi do sétimo para o sexto lugar quando avançou para o domingo decisivo. No último dia, não achou boas ondas contra o norte-americano Kanoa Igarashi, mas a missão já estava cumprida, pois sai dos Estados Unidos bem posicionado no ranking.

Além de Bino Lopes, o outro único brasileiro no G-10 é o paulista Deivid Silva, que tinha chance de assumir a ponta do ranking no US Open, mas acabou caindo da quarta para a quinta posição. E a outra novidade no G-10 é o australiano Ryan Callinan, que também perdeu nas quartas de final e ficou em quinto lugar no US Open. Ele é um dos estreantes na elite deste ano, mas não está conseguindo ficar entre os 22 primeiros colocados do CT que são mantidos entre os top-34 para o ano que vem e tenta garantir sua permanência pelo ranking de acesso. Ele chegou na Califórnia em 24.o lugar e agora é o sétimo colocado.